22.3.18

Projeto Amor Próprio - com @damajordao

Hey Guys, como estão? 
Já que falhei ontem com meu post semanal (que eu liberei hoje, veja AQUI) vou liberar dois posts sim. 
É muito amor envolvido né?! haha

E que tal mais uma entrevista Inspiradora do Projeto Amor Próprio? 
Ta acabando minhas entrevistas, mais eu espero de verdade que o projeto não acabe por aqui, vou continuar procurando mais interessados em compartilhar histórias inspiradoras de empoderamento com vocês 

Lembrando que o projeto é uma forma de trazer um pouco mais sobre autoaceitação, gordofobia e emponderamento aqui para vocês e de um jeitinho todo especial, com histórias reais de pessoais reais. 

Nossa entrevistada de hoje é a maravilhosa Eliana Jordão (no instagram @damajordao) 

Significado de Empoderamento :v.f. é um verbo que se refere ao ato de dar ou conceder poder para si próprio ou para outrem. A partir do seu sentido figurado, empoderar representa a ação de atribuir domínio ou poder sobre determinada situação, condição ou característica.


1 - Como começou o seu processo de aceitação em relação ao seu corpo? 

Quando eu comecei a me amar, eu estava dentro de um relacionamento abusivo, humilhação, brigas, entre outras coisas mais. Suportar aquilo estava me destruindo e eu só pensava em como deixei tudo ficar daquela forma. Comecei a pensar no "porque meu corpo era um problema", comecei a pensar que não tinha só um homem no mundo que ia me querer, comecei a pensar que eu tinha beleza sim. Todos os dias eu me olhava no espelho e ficava refletindo sobre minhas escolhas e meu corpo, e fui criando forças para me soltar daquela vida. Suportei coisas que nenhuma pessoa deveria suportar pois me sentia culpada por ter esse corpo, e logo, eu achava q merecia tudo de ruim que acontecia. Eu vivia pedindo desculpas pela minha aparência; vivia me escondendo com medo do que outros pensavam e falavam de mim. E em um péssimo dia, daqueles que estamos no fundo do poço, resolvi que me daria uma chance de ser feliz e me aceitar. Que eu não merecia me tratar e deixar os outros me tratarem daquela forma. 
Eu simplesmente falei chega! Eu mereço mais. 
Eu tenho que me aceitar do jeito que sou. Afinal eu sei que tenho imperfeições, tenho defeitos, mas ser gorda não deveria mais ser um deles. 

2 - Na sua infância você sofreu algum tipo de bullying por causa do seu peso? Que marcas isso deixou em você? 

Desde que me entendo por gente, eu era chamada de gorda, balofa, baleia, obesa etc. As crianças riam de mim e os adultos sempre falavam que eu tinha um rosto lindo mas precisava perder uns quilos para ficar bonita. 
Na escola, na Igreja e nos outros círculos sociais que eu frequentava, sempre rolavam piadas e zuações sobre meu peso. Eu costumava dizer que não tinha autoestima para ela chegar a ser baixa autoestima. Antes de eu entender que era uma menina eu já sabia que era gorda e precisava emagrecer. Lembro que com 6 anos eu acordava de manhã pensando que devia comer menos e fazer dieta. Enfim, tudo isso gerou em mim vergonha e ódio; eu me odiava e me sentia um peixei fora d'água. E quando começaram os períodos de paquera da adolescência, eu me excluía mais ainda. Os meninos sempre falavam, mesmo sem eu perguntar ou querer, que não sairiam comigo pois eu era gorda e estranha, as meninas usavam isso para me provocar o tempo todo. Eu chegava em casa chorando todos os dias pedindo a Deus para emagrecer e ser bonita. A opinião dos outros sempre foi muito importante para mim e isso me destruiu de tal forma que desenvolvi até depressão. É muito cruel fazer crianças se odiarem antes mesmo de se conhecerem. 

3 - Em relação a sua família, há/ou houve algum tipo de pressão para emagrecer?

Minha família é vegetariana há algumas gerações e para eles ser gordo é imperdoável. Eu era a única criança gorda, neta gorda, filha gorda, prima gorda e em todo encontro da família, vinham tios e avós falarem do meu peso. 
Meus pais e irmãos são magros e por isso eles viviam jogando na minha cara que eu era gorda, inútil e outros xingamentos. Meus pais foram uns dos maiores agentes traumáticos em todos os aspectos da minha vida, e grande parte do ódio ao meu corpo que eu desenvolvi veio deles. Inclusive minha mãe comprou remédios para mim quando eu era criança. 

4 - Você já passou por alguma situação que considera constrangedora por causa do seu peso? 

Uma menina que não gostava de mim na escola, pediu a um garoto que eu gostava se ele queria ficar comigo só para me magoar, e ele disse para a escola toda que nunca sairia comigo pois eu era gorda e devia emagrecer. O primeiro menino que fui namorar perto dos 15 anos, falou que até namoraria comigo mas eu precisava emagrecer. Uma vez fui a um parque aquático com a escola, e não consegui ir para piscina porque alguns coleguinhas ficaram gritando sobre minhas estrias e gorduras. Também teve a vez que uma recrutadora falou na minha cara que eu não seria contratada pois era gorda e o padrão da empresa era mais bonito. No trabalho em geral, as pessoas te julgam por seu peso, antes de verem a profissional que você é, eles veem que você é gorda e por isso não se interessam pelo resto.

5 - Já pensou ou tentou medidas extremas para perda de peso? (dietas malucas, remédios, cirurgia, excesso de exercícios...) Isso foi prejudicial a sua saúde? O que te levou a isso? 

Eu já fiz de tudo, desde ficar sem comer ou beber só água à tomar remédios como "Magrins" (eu tinha uns 10 anos nessa época), tomei outros remédios ao longo da vida, mais nenhum nunca fez efeito e eu me sentia um lixo por isso. Eu acordava e dormia todos os dias pensando e tentando mil coisas para ser "normal". Todos ao meu redor só julgavam e falavam que eu não tinha força de vontade por isso não conseguia emagrecer; isso gerou uma certa compulsão alimentar minha, e eu comia para desafogar as mágoas e sentir prazer, e o resultado foi estar diabética aos 23 anos de idade. 


6 - Quem mais te apoia neste processo de aceitação? 

Somente eu. Eu comecei por mim própria a me soltar das pessoas tóxicas que eu tinha na vida, sempre ouvi que só eu podia fazer as dietas e exercícios por mim, inverti essa frase e entendi que só eu posso lutar para me aceitar e ser feliz, e atualmente meu namorado me dá mais forças para continuar lutando todos os dias.

7 - O que positividade corporal significa para você e como você pratica isso no seu dia-a-dia? 

Ao invés de olhar pro espelho e me xingar, eu olho e vejo o mulherão que eu sou. Quando alguém me chama de gorda, absolvo isso como sendo a realidade e uma bela realidade, diga-se de passagem. O fato é: EU SOU GORDA, e isso não é algo ruim, é quem eu sou, é uma das minhas muitas qualidades e não deve me afetar negativamente. Eu penso que todo corpo é bonito, e precisa ser amado e respeitado. 

8 - Quais os tipos mais frequentes de gordofobia que você encontra no seu cotidiano?

Além de ver o mercado de trabalho rejeitando pessoas gordas, percebo o preconceito dos médicos para com os gordos. Quando você chega no consultório todos os seus problemas são descritos por eles como culpa do excesso de peso. Eu tinha uma saúde muito boa até os 18 anos, as vezes ía no médico ver fluxo menstrual mas a culpa era da gordura, ía por conta de espinhas e a culpa ainda era da gordura, dores de cabeça? Gordura de novo. Meus exames davam todos ok, e ainda assim eu precisava brigar com eles mostrando o resultado da tireoide para que eles procurassem realmente a causa dos meus problemas. Era tão insuportável ir no médico e ouvir que eu estava gorda, que parei de cuidar da saúde, começou a depressão e chegamos no resultado de hoje, que é a Eliana correndo atrás dos prejuízos de tudo que passou. Eu também sofro muito na faculdade com as cadeiras da sala de aula, além de serem desconfortáveis, na minha faculdade a mesa e a cadeira são coladas juntas e por isso eu fico toda espremida na cadeira com a barriga pressionada pela mesa. Eu não passo por esse problema, especificamente, pois sou manequim 50, mas vejo muitos conhecidos que não conseguem passar na roleta do ônibus ou conseguir uma maca no hospital por conta do seu peso. Acesso a saúde e o direito de ir vir são leis, mas ainda assim para os gordos isso está longe de acontecer. 

9 - O que as pessoas podem fazer para apoiar o movimento de aceitação corporal e mudas esses estereótipos e comportamentos enraizados? 

Primeira devemos entender que respeitar o seu corpo e o corpo dos outros não tem a ver com sentir atração. Você não tem que sentir atração por gordos ou magros para respeitar a pessoa. Você só precisa respeitar. Na roda de amigos gordos, costumamos dizer que a maioria das pessoas não tem ideia do estigma que é ser gordo em uma sociedade de aparências e por isso realmente não se toca que certos comentários e opiniões que emitem são preconceituosos e babacas. O que todos devem fazer é ter empatia, e não é só com pessoas gordas, mas sim com todos os seres vivos. 

10 - Se você pudesse mudar uma coisa sobre como as pessoas gordas são vistas pela sociedade, o que seria? 

Eu tiraria o estigma de sermos tachadas como doentes. Muitas pessoas gordas tem muito mais saúde que gente magra. Na real, ser magro não é ser saudável e vice versa, mas a sociedade teima com isso ainda e muitas pessoas gordas deixam de ir ao médico e desenvolvem doenças que poderia sem diagnosticadas e tratadas no início por conta desse preconceito.


11 - Há um debate na comunidade de positividade corporal sobre usar a palavra "gordo" para se descrever. Como você usa essa palavra? 

Gordo/a é só um adjetivo, assim como bonita, elegante, legal e acho que devemos nos descrever como gordos sim, e feliz também. Muitos não gostam da palavra gorda porque ela já está carregada de coisas negativas, eu tento não levar por esse lado. A única coisa que não gosto é do termo gorda menor e gorda maior.

12 - Qual conselho você daria para quem está começando este processo de aceitação?

Aceitação é uma luta de diária, mesmo as blogueiras tem dias ruins, então é necessário ter paciência e levar um dia de cada vez. Comece se elogiando no espelho, procure seguir pessoas que fazem bem para você e principalmente, se afaste daquelas que não fazem. Procure sempre ser feliz e priorize sua saúde mental e física.


Lembrando que projeto amor próprio tem como intuito mostrar para os leitores, não leitores e aqueles que caem de paraquedas aqui no Dreamy Fearless que não importa se você é GORDO, MAGRO, NEGRO, BRANCO, ASIÁTICO ou ETC, o que importa é o que você é por dentro, quem você é. 

SOMOS TODOS IGUAIS e a sociedade precisa aprender a 
conviver com isso! 
Vamos começar pela gente e levar essa lição adiante? Conto com vocês.

Eu agradeço de coração a Eliana por topar entrar neste projeto comigo, precisamos nos unir sim, pois só assim iremos mostrar para a sociedade que eles não podem mais nos derrubar.

ps.: E cá entre nós, acho que essa foi a entrevista que eu melhor me identifiquei, problemas com a família e a auto estima foram as mesmas, obrigado por me dar esse depoimento e a ver as coisas com mais clareza! 

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