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30.5.18

Projeto Amor Próprio - @falamaag

Hey Guys, como estão? 
Como esta a greve por ai? Aqui no Sul, mas precisamente Imbituba está uma loucura, saimos no jornal e tudo, haha. 

Esse mês eu tive o imenso prazer de voltar com o projeto Amor Próprio e hoje vamos ter mais uma entrevista porque como eu disse no post anterior esse assunto merece ser comentado! 

Lembrando que o projeto é uma forma de trazer um pouco mais sobre autoaceitação, gordofobia e emponderamento aqui para vocês e de um jeitinho todo especial, com histórias reais de pessoais reais. 

Nossa entrevistada é tipo "mulherão da porra" sabe? quando vi o Instagram dela eu soube que precisava conhecer um pouco mais. Ela é a Magna Oliveira (no instagram @falamaag

Significado de amor próprio :s.m. sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada qual tem por si mesmo.


1 - Como começou o seu processo de aceitação em relação ao seu corpo? 

Não sei dizer ao certo quando começou, acho que quando comecei a ver mais meninas com meu biotipo, quando eu comecei a estudar mais sobre psicologia, entender a mente das pessoas, como funciona uma sociedade, costumes, tradições, acho que muita coisa foi clareando na minha cabeça e eu comecei a tentar me julgar menos e me amar mais. Mas é um processo diário, e difícil, ainda hoje.

2 - Na sua infância você sofreu algum tipo de bullying por causa do seu peso? Que marcas isso deixou em você? 

SIMMM! Quem nunca, né? Acho que toda pessoa gorda sofreu bullying quando era criança (e mesmo depois de adulto) não só por pessoas do "mundo de fora" (ciclo sociais, escola, etc) mas principalmente dentro da família. Acho que toda criança gorda sofre muito com a pressão familiar, isso sem dúvidas deixa muita sequelas, como sentimento de inferioridade, personalidade destrutiva, auto sabotagem, insegurança, enfim... isso acaba com o psicológico de uma pessoa. Graças ao universo eu não tive resquícios fortes, claro que sempre bate aquela insegurança, necessidade de se comparar e colocar para baixo... mas a prática de aceitação ajuda muito a diminuir esses sentimentos.

3 - Em relação a sua família, há/ou houve algum tipo de pressão para emagrecer? 

DESDE SEMPRE! HAHAHA, acho que eu já perdi a conta de quantas vezes tomei remédio para emagrecer, fui a nutricionista, endocrinologista, fiz mil dietas malucas (isso tudo desde novinha) até me sujeitei a uma cirurgia bariátrica. Que por sinal, nem perdi taaaanto assim. Cheguei a perder 35kg, dos quais já ganhei quase tudo de volta. E a única coisa que de fato a cirurgia me acarretou, foram eternos resquícios na minha saúde, por conta de ser tão invasiva.

 4 - Você já passou por alguma situação que considera constrangedora por causa do seu peso? 

Existem situações constrangedoras que acabam se tornando cotidianas, né? Como ser grande demais para uma cadeira no ônibus, por exemplo. Ou entrar em uma loja e ver o vendedor olhando com uma cara de "aqui não tem roupa pra você", ou até mesmo ficar a fim de um carinha e saber que ele não vai te olhar com os "mesmos olhos" porque você é gorda. Acho que situações desconfortáveis e constrangedoras são meio que rotina na vida de um gordo, não tem como fugir muito disso.

5 - Já pensou ou tentou medidas extremas para perda de peso? (dietas malucas, remédios, cirurgia, excesso de exercícios...) Isso foi prejudicial a sua saúde? O que te levou a isso? 

Sim, como respondi em uma pergunta acima, já tentei todos os métodos possíveis e mais malucos para perder peso... acho que isso é prejudicial por uma serie de fatores. Tem o fato psicológico, você passa a vida tentando se enquadrar em um padrão que não condiz com seu biotipo, e dai nasce uma serie de fatores como depreciar o próprio corpo, né. Na questão saúde mesmo, acredito que a bariátrica é uma sequela grande, por conta da diminuição da absorção de nutrientes pelo meu organismo, por exemplo.


6 - Quem mais te apoia neste processo de aceitação? 

Acho que muitas pessoas ACEITAM mas não APOIAM. Alguns apoiam de forma mascarada, porque há um preconceito mascarado (por conta de mil fatores sociais), tem amigos que me admiram por eu "me amar do jeito que sou" ou gostarem da forma como encaro o mundo, mas acredito que no atual momento a pessoa que mais tem me dado apoio e incentivo nisso é meu namorado.

 7 - O que positividade corporal significa para você e como você pratica isso no seu dia-a-dia? 

A positividade significa TUDO pra mim no dia a dia. E eu carrego isso em todo núcleo que eu viva, seja profissional, pessoal, familiar... eu tento encarar a vida de forma mais leve e tentar ver pontos positivos em situações críticas, isso me ajuda muito a encarar diversas adversidades que encontro no caminho. Eu tento ser uma pessoa divertida, alto astral e feliz a maior parte do tempo e tento fazer com que as pessoas ao meu redor também sejam. O mundo é muito cheio de coisas obscuras e sentimentos ruins, e a parcela de contribuição que eu puder dar pra combater isso, eu faço. Quanto a positividade relacionada ao meu corpo, eu tento sempre me olhar e tentar achar beleza, pontos qualitativos, ainda que as vezes eu não consiga, e assim eu tento manter um nível de sanidade e inteligência emocional que permite me manter firme a maior parte do tempo.

8 - Quais os tipos mais frequentes de gordofobia que você encontra no seu cotidiano? 

É muito difícil listar isso, a gordofobia está intrínseca nas pessoas assim como toda outra forma de preconceito, seja a homofobia, racismo... existe um padrão na cabeça das pessoas, ainda que elas não queiram, e quando eu digo "pessoas" eu me refiro a todos, incluindo a mim. Nós somos preconceituosos.. eu costumo parafrasear uma música de Caetano Veloso que diz "é que narciso acha feio tudo que não é espelho". E é isso, o ser humano não consegue lidar com as diferenças, somos cheios de frases ensaiadas, pensamentos robóticos, achismos, críticas... e enfim. Acho que eu sinto essa "gordofobia" vindo de muitas formas que não saberia listar, mas principalmente olhares, comentários, piadas, e a própria indústria que não é inclusiva.

9 - O que as pessoas podem fazer para apoiar o movimento de aceitação corporal e mudas esses estereótipos e comportamentos enraizados? 

Acho que a primeira coisa que se pode fazer é tentar mudar A SI MESMO. Olhar para dentro, analisar quem você é, o que você pensa, que tipo de preconceito você reproduz e tentar ser uma pessoa melhor. Esse trabalho já é difícil, mas se todos fizessem, um pouco que seja, isso já ajudaria o mundo a ser melhor e a mudar, porque o mundo é composto de pessoas. Então acho que é isso... mudar a si. De alguma forma quando mudamos algo em nós, nós também influenciamos pequenos grupos ao nosso redor, seja o ciclo de amigos, ambiente de trabalho... se não mudamos a forma como pensam, pelo menos deixamos o pensamento vivo na mente deles. Cabe a cada um procurar uma evolução pessoal.

10 - Se você pudesse mudar uma coisa sobre como as pessoas gordas são vistas pela sociedade, o que seria? 

Acho que a forma como elas são enojadas. A sociedade tem nojo de gente gorda e esse é um sentimento muito destrutivo, para quem sente e principalmente para quem recebe-o. Nojo é um sentimento forte, de repulsa, o primeiro impacto é querer distância... tem noção do quanto isso é pesado? (sem trocadilhos com a palavra PESADO).


11 - Há um debate na comunidade de positividade corporal sobre usar a palavra "gordo" para se descrever. Como você usa essa palavra? 

Isso é algo que eu tenho trabalhado bastante em mim. No meu processo de aceitação, eu comecei a me aceitar gordinha.. gordelícia, fofinha, etc. Mas eu não conseguia falar a palavra gorda, parecia errado, ofensa. Porque se alguma forma é... mas não no sentido literal, mas como as pessoas pronunciam, como isso se formou socialmente, gordo é xingamento, é algo ruim. E eu tenho trabalhado isso em mim, tentando deixar de utilizar o termo "gordinha" e usado mais a palavra GORDA. Porque é o que eu sou, uma mulher gorda. E isso não faz de mim melhor ou pior do que alguém.. isso faz de mim GORDA. E eu preciso repetir isso como se fosse um mantra, pra que passe a cada vez se tornar algo comum e normal para mim. Por isso eu não acho que tenho o direito de exigir que o mundo entenda ou ache GORDA algo normal, porque até pra mim foi, e é, difícil de introduzir no vocabulário de forma que não se torne ofensivo. Essa luta é necessária sim, e esse trabalho de mudança social está apenas começando.

12 - Qual conselho você daria para quem está começando este processo de aceitação? 

Acho que o meu conselho seria primeiro de tudo: estudar. Estudar comportamento social e tentar entender o porque de muita coisa, o porque e a origem de preconceito, como isso influencia a cabeça de alguém, entender que a sociedade pensa assim e tentar não culpá-los, porque você mesmo pensa assim. A partir do estudo você adquire informação, você se torna crítico, você consegue sair da bolha e enxergar menos de forma micro e mais de forma macro, e enxergar que o problema é maior do que você. Depois disso, trabalhar sua inteligência emocional, visitar seus traumas, entender de onde eles nasceram, se for o caso até busque ajuda profissional, mas é importante trabalhar o psicológico, reformular a máquina pensante, porque é com ela que você vai mudar todo o resto, mudar seus pensamentos, suas atitudes, sua visão e suas expectativas. Outra coisa que eu aconselho é tentar se conhecer, tirar um tempo para olhar dentro de si, fazer meditações, encontrar-se dentro do seu corpo e junto disso encontrar um equilíbrio e uma forma pra te mover. 
A aceitação é consequência de todos esses fatores acima, acredito eu.

Lembrando que projeto amor próprio tem como intuito mostrar para os leitores, não leitores e aqueles que caem de paraquedas aqui no Dreamy Fearless que não importa se você é GORDO, MAGRO, NEGRO, BRANCO, ASIÁTICO ou ETC, o que importa é o que você é por dentro, quem você é. 

GENTE tô cada dia mais ORGULHOSA desse projeto, gente linda, histórias de vida tocantes e muita positividade, amor próprio, isso me inspira de uma forma, vocês não tem noção! 

SOMOS TODOS IGUAIS e a sociedade precisa aprender a 
conviver com isso! 
Vamos começar pela gente e levar essa lição adiante? Conto com vocês.

Eu agradeço de coração a Magna por topar entrar neste projeto comigo, precisamos nos unir sim, pois só assim iremos mostrar para a sociedade que eles não podem mais nos derrubar.
Pedro você é maravilhoso, guerreiro, e um orgulho pra quem te segue!

Quem quiser acompanhar o Magna no Instagram é so Seguir AQUI e babar muito nas fotos dela 
 
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