19.1.18

Precisamos falar sobre a Cultura do Estupro

Hey Guys, como estão? 
Vamos falar sobre o termo "cultura do estupro" que vem sendo usada para qualificar as consequências do machismo e do patriarcado. 
Mas na ultima semana ouvimos muito o termo em redes sociais por causa do polemica do Funk "Surubinha de leve" entre outras... 

Mas entre tantos “nem todo homem é assim” e “todo homem é um estuprador em potencial” o que realmente tomou força foi “isto é fruto da cultura do estupro”. Mas o que seria essa tal cultura?


Você já se sentiu no direito de fazer algum comentário em relação a alguma mulher devido a roupa que ela utiliza? Já disse em algum momento que “ela procurou” ao ouvir um relato de estupro, em que a vítima estivesse bêbada, com roupas curtas ou andando a noite sozinha? Já separou as mulheres entre “vadias” e “mulheres direitas” devido as suas vestimentas e hábitos sociais?

Se você respondeu “sim” para algumas das questões acima, então conhece bem a cultura do estupro. A cultura do estupro é essa propagação de ideias de que a culpa de crimes sexuais é sempre da vítima, é a ideia de que ela causou seja graças a vestimenta, ao local onde está, ou ao que ela ingeriu. É arranjar sempre uma desculpa para o ato do estuprador.

Não, ela não se restringe somente a isto! É cultura do estupro quando você não reconhece que estupradores são homens comuns, com hábitos comuns, protegidos pelo patriarcado e pela velha mania social de culpar sempre a mulher. É cultura do estupro quando você objetifica mulheres e as desumaniza.

A cultura do estupro não é algo monstruoso que nos enoja diariamente, não! 
Ela está em nossos hábitos, em nossas falas, e até mesmo em nossos pensamentos. É ela quem rege a impunidade de crimes sexuais contra crianças, adolescentes e mulheres, é ela quem perpetua o medo de ser mulher no mundo atual.

Infelizmente muitas mulheres conhecem o pior lado dessa cultura misógina. Lembra do caso da garota que foi estuprada por mais de trinta homens? mais de trinta filhos saudáveis do patriarcado que, em momento algum, a viram como ela era: um ser humano. Esse é o principal objetivo da cultura do estupro, desumanizar a vítima, transformá-la em apenas um acaso. Mas a vitima não é um acaso, ela é parte da estatística brutal. Elas são partes das 47,6 mil pessoas, por ano, vítimas de estupro no Brasil.

Como diria Martin Luther King Jr, “O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas”

Dizer que não há uma “cultura do estupro” é sufocar o sofrimento de inúmeras mulheres vítimas de abuso, é “cobrir com panos quentes” uma dor que não te afeta. Pois você pode não ser atingido, mas ela existe e ela educa homens comuns para que violentem uma mulher a cada 11 minutos, no Brasil.

Antes que venha com o velho discurso do “eu não sou assim”, afirmo com todas as minhas certezas de que você não faz mais do que a sua obrigação. 
Não violentar, nem humilhar ou amedrontar uma mulher é uma obrigação sua, ninguém te deve agradecimentos por ser um ser humano decente.

A questão que fica é sobre o que devemos fazer para estancar de vez esse mal de nossas vidas. 
Comece com pequenos hábitos: não compactuando com colegas que se sentem no direito de algo sobre as mulheres, se afastando de pessoas que avaliam o caráter das outras pelas vestimentas, e, principalmente, se policiando para que não caia no mal de reproduzir tanto ódio quando esta cultura reproduz, jamais permita se esquecer que a culpa nunca é da vitima. 


Tais atitudes são pequenas, perto do imenso mal causado, mas ainda sim tem alguma força. Talvez, com atitudes como essas, possamos melhorar o mundo para moças como eu & você, sua prima ou sua irmã. 
Talvez haja um princípio cultural melhor no fim do túnel.

É machismo, é assedio sexual, é estupro, É CRIME. Denuncie!

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