28.2.18

Projeto Amor Próprio - com @yasminpass

Hey Guys, como estão? 
Há algum tempo eu venho estudando uma forma de trazer mais sobre autoaceitação, gordofobia e emponderamento aqui para vocês e finalmente eu achei um jeitinho 
Conversei com algumas pessoas INCRÍVEIS, que toparam me responder algumas perguntas sobre como lidam com a gordofobia e como foi todo o seu projeto de autoaceitação. 
Acho que não há forma melhor do que mostrar ao mundo o quão normal é ser "Diferente" do que com historias reais de pessoas reais. 

Hoje a nossa entrevistada é a Yasmin Passoumidis (no instagram: @yasminpass), eu já acompanho algum tempo pelo instagram e amo seu jeito de levar a vida, vem cá conhecer um pouquinho mais sobre.

Significado de amor próprio :s.m. sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada qual tem por si mesmo.


1 - Como começou o seu processo de aceitação em relação ao seu corpo? 

Na verdade quando falamos sobre autoaceitação, falamos de um processo contínuo e diário. Eu percebi que o que eu sofria tinha nome quando uma vez eu postei uma foto com uma amiga que também é gorda e vários homens começaram a comentar coisas absurdas em relação ao nosso peso, só porque na foto estávamos pulando. Naquele dia uma colega me avisou que eu estava sofrendo gordofobia, me pôs num grupo de mulheres que falavam sobre isso e foi a partir desse dia que eu comecei a entender que não havia nada de errado com o meu corpo e sim com a cabeça das pessoas.

2 - Na sua infância você sofreu algum tipo de bullying por causa do seu peso? Que marcas isso deixou em você? 

Com certeza! Na escola e até mesmo dentro da família, o meu corpo e o meu peso sempre foram alvos de comentários e piadas. As marcas foram profundas, quando você é incentivado a odiar o seu corpo a vida inteira por diferentes pessoas, a sua autoconfiança desce vários degraus, fazendo você desenvolver uma forte insegurança e no meu caso, transtornos alimentares, depressão e ansiedade.

3 - Em relação a sua família, há/ou houve algum tipo de pressão para emagrecer? 

Sim, a vida toda, até o dia que eu fiquei estressada o suficiente para dar um basta e me impor. Não é fácil enfrentar sua família, mas para o bem da minha saúde mental eu me vi na necessidade de dizer que eu não ia mais fazer dietas, nem me matar em esportes e academias para emagrecer e que eu tava feliz sendo gorda.

4 - Você já passou por alguma situação que considera constrangedora por causa do seu peso? 

Gostaria de dizer que não, mas infelizmente a sociedade não está pronta para lidar com pessoas gordas. 
Os ônibus possuem assentos preferenciais mas a catraca nos aperta. 
O cinema quer nosso dinheiro, mas as poltronas são por muitas vezes desconfortáveis... Isso tudo é constrangedor. É humilhante, é perverso. E eu sei que eu não sou uma mulher gorda tão grande, tem pessoas gordas com o corpo maior que o meu que sentem muito mais isso no seu cotidiano, pessoas que não conseguem viajar de avião simplesmente porque a companhia aérea (que quer nosso dinheiro) não tem capacidade de nos oferecer um cinto de segurança que nos caiba.

5 - Já pensou ou tentou medidas extremas para perda de peso? (dietas malucas, remédios, cirurgia, excesso de exercícios...) Isso foi prejudicial a sua saúde? O que te levou a isso?

O máximo que já tentei foram remédios naturais, que não tiveram nenhum efeito prejudicial. Mas já pensei várias vezes em vomitar o que como. E sei que bem mais prejudicial à minha saúde do que qualquer dieta que já fiz, foi essa pressão toda ao meu redor para que eu a fizesse, mesmo contra minha vontade. 

6 - Quem mais te apoia neste processo de aceitação? 

Meus amigos e minha avó materna.

Todos os direitos reservados 

7 - O que positividade corporal significa para você e como você pratica isso no seu dia-a-dia? 

Positividade corporal significa para mim, uma relação de paz e harmonia com o seu próprio corpo. No meu cotidiano tento aplicá-la eliminando o ódio que eu depositava sobre mim mesma através de palavras ruins que eu direcionava ao meu corpo, me jogando pra baixo. Tento me elogiar mais, me convencer de que eu sou sim capaz de fazer qualquer coisa, me olhar no espelho e sorrir ao invés de me olhar com cara de nojo e reprovação, porque sei que essa reprovação não vem de mim, vem dos outros e eu não quero absorvê-la.

8 - Quais os tipos mais frequentes de gordofobia que você encontra no seu cotidiano? 

Quando eu saio com alguma roupa curta ou de barriga de fora com um top cropped na rua, as pessoas sempre me olham com cara de nojo, mas ao invés de devolver esse nojo a elas, eu sorrio. Porque eu sei que eu estou bem com o meu corpo e se elas não estão, eu não estou aqui para tornar o olhar para mim mais agradável, elas que precisam melhorar esse jeito de olhar pro outro. Eu não estou aqui para agradar o senso estético de ninguém, sabe? hahahaha

9 - O que as pessoas podem fazer para apoiar o movimento de aceitação corporal e mudar esses estereótipos e comportamentos enraizados? 

Acredito que o movimento de aceitação corporal seja para todos, então para além de apoiar, elas deveriam praticá-lo porque quando a gente aceita a nossa singularidade, a gente consegue entender e respeitar melhor a singularidade do outro. Mas eu sei que no dia-a-dia as coisas não são tão belas e floridas, ainda assim, acredito que atitudes sempre falarão mais alto do que qualquer palavra, então parar de olhar pro outro com cara de espanto, cara de deboche, com risos de escárnio e com nojo, já é um bom começo.

10 - Se você pudesse mudar uma coisa sobre como as pessoas gordas são vistas pela sociedade, o que seria? 

Só uma, poxa? Hahahaha eu acrescentaria empatia e respeito nos olhos de quem nos olha como incapazes, de quem nos olha como pessoas inferiores, de quem nos olha como seres não sexuais, de quem nos olha como se não fossemos seres humanos, de quem fiscaliza nossos pratos nos restaurantes, de quem nos olha com pena... Não queremos a sua pena, EXIGIMOS o seu RESPEITO!

11 - Há um debate na comunidade de positividade corporal sobre usar a palavra "gordo" para se descrever. Como você usa essa palavra? 

Eu a uso como ela deve ser usada: para descrever uma característica física. Nem boa, nem ruim. Esse medo de usar “gordo” para se descrever vem da imposição que sempre recebemos, de que ser gordo é algo ruim. Mas não é! 
Ser gordo é como ser magro, é como ser alto, baixo, negro, branco... Não tem nada de mais nem nada de menos. É apenas ser. Usar de eufemismos como “gordinho”, “cheinho”, “acima do peso” só prejudica a nossa luta por visibilidade e representatividade.

12 - Qual conselho você daria para quem está começando este processo de aceitação? 

Meu bem, te digo que o processo é contínuo, é doloroso, é diário e não é repentino! Você não vai passar a se amar do dia para a noite, muito menos vai tomar conhecimento de tudo que você é do nada. A viagem pela estrada do amor próprio é das mais tortuosas e belas que você enfrentará, mas é como dizem: maré calma nunca fez bom navegador. É uma viagem necessária, porque tudo que você fizer depois de começá-la só virá para acrescentar na sua vida. Conhecer e respeitar teus limites é essencial para a tomada de qualquer decisão na sua vida. Não estamos falando de algo irrelevante, estamos falando de você! Então, tenha-se como prioridade e priorize a sua saúde mental, sem ela a sua vida não vai funcionar! E se for preciso, peça ajuda profissional! 
Eu mesma faço terapia e sei que sem ela eu não descobriria metade das coisas que eu sei sobre mim hoje. O seu corpo é a única coisa que estará com você em TODOS os momentos da sua vida até o seu ultimo suspiro, acho que vale a pena ter um pouco mais de carinho com ele, não? 


Ual, que lição eihm? 
O projeto amor próprio tem como intuito mostrar para os leitores, não leitores e aqueles que caem de paraquedas aqui no Dreamy Fearless que não importa se você é GORDO, MAGRO, NEGRO, BRANCO, ASIÁTICO ou ETC, o que importa é o que você é por dentro, quem você é. 

SOMOS TODOS IGUAIS e a sociedade precisa aprender a 
conviver com isso! 
Vamos começar pela gente e levar essa lição adiante? Conto com vocês.

Eu agradeço de coração a Yasmin por topar entrar neste projeto comigo, precisamos nos unir sim, pois só assim iremos mostrar para a sociedade que eles não podem mais nos derrubar. 
Quem quiser acompanhar a Yasmin no Instagram é so Seguir AQUI 

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Um comentário:

  1. Muito obrigada pelo convite e pela oportunidade! Foi um prazer participar desse projeto tão lindo! ��

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