23.5.18

Projeto Amor Próprio - @pacpedro

Hey Guys, como estão? 
E não é que o friozin veio para ficar? Pelo menos aqui no Sul já estamos sentindo como o inverno vai ser... 

Semana passada eu tive o imenso prazer de voltar com o projeto Amor Próprio e hoje vamos ter mais uma entrevista porque como eu disse no post anterior esse assunto merece ser comentado! 

Lembrando que o projeto é uma forma de trazer um pouco mais sobre autoaceitação, gordofobia e emponderamento aqui para vocês e de um jeitinho todo especial, com histórias reais de pessoais reais. 

Nosso entrevistado de hoje é outro maravilhoso, babadeiro com suas fotos no instagram viu? Ele é o Pedro Augusto (no instagram @pacpedro)

Significado de amor próprio :s.m. sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada qual tem por si mesmo.


1 - Como começou o seu processo de aceitação em relação ao seu corpo? 

Foi em um momento de mudança em vários aspectos da minha vida, tanto pessoal como profissional. Percebi que algumas travas me impediam de alcançar meus objetivos, e a principal delas era com o meu corpo. A partir disso, comecei a mudar meu pensamento sobre ele, e vê-lo como algo mais positivo.

2 - Na sua infância você sofreu algum tipo de bullying por causa do seu peso? Que marcas isso deixou em você? 

Toda criança em algum momento da sua infância sofreu bulliyng, e no meu caso não foi diferente. Sempre fui chamado pelos apelidos que todos o gordos também já foram, barril, bola, seu barriga e por aí vai. Durante muito tempo isso me incomodou e me ofendeu. Um dos momentos que mais me marcou foi quando eu percebi que as pessoas não sabiam meu nome, eu era apenas O Gordinho da turma. Eu me lembro de um professor de educação física que não conseguia lembrar meu nome de jeito nenhum, e um belo dia ele disse: "O gordinho vem pro gol". Depois disso, a 'zoeira' só aumentou, aquilo me machucou muito. Era tão doloroso que quando entrou outro gordo na escola, eu dei graças a deus porque tinha deixado de ser o alvo, pena que não durou muito, logo depois, eu virei o Gordinho Viadinho

3 - Em relação a sua família, há/ou houve algum tipo de pressão para emagrecer? 

Bom, eu faço parte de uma família onde 95% das pessoas são gordas, e grande parte não se aceita. São gordofobicos entre eles mesmos, indicam dietas, remédios e processos milagrosos. Geralmente nas reuniões, as primeiras observações são sobre corpo, o quanto cada um emagreceu ou engordou. Em geral, há muitos problemas de aceitação na minha família. Hoje que eu me aceito e me amo, eles me falam: "Pelo menos alguém na família tem o ego elevado como o Pedro que fica postando as gorduras dele na internet."

4 - Você já passou por alguma situação que considera constrangedora por causa do seu peso? 

Com certeza, várias. Coisas do dia-a-dia como não conseguir passar na catraca do ônibus ou metrô, por exemplo. Uma vez fui me pesar em um posto, e a balança travou no meu peso, eu sai e as pessoas ficaram ali, olhando meu peso e julgando, como se a culpa da balança ter quebrado fosse minha. Quando eu fazia academia, os homens com aqueles corpos malhados olhavam, tiravam sarro, e apostavam quanto tempo eu aguentaria correr na esteira. Quando eu era criança, fui visitar uma amiga, e sua mãe me disse para me servir o quanto eu queria comer, quando eu terminei, ela olhou pra a filha e falou: "Tá vendo porque eu digo pra você não comer tanto, para não ficar igual a ele", entre outras.

5 - Já pensou ou tentou medidas extremas para perda de peso? (dietas malucas, remédios, cirurgia, excesso de exercícios...) Isso foi prejudicial a sua saúde? O que te levou a isso? 

Tomei remédios tarja preta para emagrecer com 15 anos porque o médico da família receitou por influência da mesma. Fiz inúmeras dietas, aquelas milagrosas que perdiam muito peso, a saúde acabava indo junto, mas o importante era emagrecer. Cresci vendo a luta da minha família tentando perder peso, então para mim aquilo era o normal, passar a vida brigando com a balança para se encaixar no padrão imposto pela sociedade. Ainda bem que as coisas mudam. 


6 - Quem mais te apoia neste processo de aceitação? 

No começo ninguém, muito pelo contrário. Ouvia das pessoas que eu era louco e que não deveria ter orgulho do meu corpo, e sim me esforçar para mudar. Foi um processo muito difícil, longo e doloroso, mas hoje tenho o apoio dos meu amigos e alguns familiares.

7 - O que positividade corporal significa para você e como você pratica isso no seu dia-a-dia? 

Se amar acima de tudo e todos. Independente do que for, da forma que for, e da cor que for, o importante é se amar. Prático isso me permitindo viver, sem me privar de nada do que já me boicotaram antes. Hoje, eu tiro fotos exibindo o meu corpo, mostrando como ele é lindo, fotos que só pessoas que estão dentro do 'padrão' costumam tirar, tenho coragem e vontade de postar, exatamente como eu sou. Ajudo os amigos que ainda estão no processo de auto aceitação como posso, e é isso. Sou feliz e amo meu corpo exatamente como ele é.

8 - Quais os tipos mais frequentes de gordofobia que você encontra no seu cotidiano? 

Pessoas que usam a palavra gorda como pejorativa. Ouvir dos meus colegas de trabalho que por ser ator, o meu perfil físico vai me reduzir a possibilidade de conquistar alguns personagens. E ouvir basicamente todos os dias alguém perguntando como vai minha saúde, pela associação do gordo ao doente, e outros detalhes. 

9 - O que as pessoas podem fazer para apoiar o movimento de aceitação corporal e mudar esses estereótipos e comportamentos enraizados? 

Ter mais empatia com o próximo, entender que diferenças existem, e que bom que elas existem não é? Entender que a beleza está justamente nessas diferenças. Respeitando o seu corpo e o corpo do outro. Basicamente, tudo e resume a respeito e empatia, por você e pelo próximo.

10 - Se você pudesse mudar uma coisa sobre como as pessoas gordas são vistas pela sociedade, o que seria? 

Desassociaria o ser gordo com ser doente. Ser gordo é apenas uma característica física. Da mesma forma que uma pessoa magra é apenas magra, e isso não a desqualifica perante a sociedade, o gordo deveria ter o mesmo julgamento. 


11 - Há um debate na comunidade de positividade corporal sobre usar a palavra "gordo" para se descrever. Como você usa essa palavra? 

Apenas como uma descrição, uma pessoa que é gorda, é gorda e ponto. Infelizmente as pessoas associam a palavra gordo como algo negativo e o magro com positivo, e isso precisa ser desconstruído, porque novamente, as duas palavras nada mais são do que características.

12 - Qual conselho você daria para quem está começando este processo de aceitação?

Puna-se menos, julgue-se menos e menospreze-se menos. Você tem o seu valor e o seu corpo também. Ele é bonito dessa forma, não precisa sofrer e se mutilar para alcançar padrões estéticos que a sociedade te impõe. Seja gentil com você, é um processo difícil, mas vale a pena. Se amando você vai muito mais longe!



Lembrando que projeto amor próprio tem como intuito mostrar para os leitores, não leitores e aqueles que caem de paraquedas aqui no Dreamy Fearless que não importa se você é GORDO, MAGRO, NEGRO, BRANCO, ASIÁTICO ou ETC, o que importa é o que você é por dentro, quem você é. 

SOMOS TODOS IGUAIS e a sociedade precisa aprender a 
conviver com isso! 
Vamos começar pela gente e levar essa lição adiante? Conto com vocês.

Eu agradeço de coração ao Pedro por topar entrar neste projeto comigo, precisamos nos unir sim, pois só assim iremos mostrar para a sociedade que eles não podem mais nos derrubar.
Pedro você é maravilhoso, guerreiro, e um orgulho pra quem te segue!

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