28.8.18

Projeto Amor Próprio - com @maarina_m

Hey Guys, como estão? 
Pensaram que não ia ter mais projeto amor próprio por aqui? pois pensaram errado, ainda quero levar esse projeto longe com a ajuda dessas lindezas e de todos vocês 

Lembrando que o projeto é uma forma de trazer um pouco mais sobre autoaceitação, gordofobia e emponderamento aqui para vocês e de um jeitinho todo especial, com histórias reais de pessoais reais. 

Nossa entrevistada de hoje é musa demais, lindíssima e super empoderada viu? Ela é a Marina Mecatti (no instagram @maarina_m) 

Significado de amor próprio :s.m. sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada qual tem por si mesmo.



1 - Como começou o seu processo de aceitação em relação ao seu corpo? 

Quando eu estava no ensino médio, tive contato pela primeira vez com o feminismo, através de paginas que falavam sobre o assunto e eu me interessei bastante e comecei a me aprofundar e procurar saber mais sobre, umas vez que, eu não tinha conhecimento algum desse assunto, a partir dai, eu encontrei o movimento relacionado ao amor próprio, o corpo da mulher gorda. A primeira vez que vi sobre esse assunto, foi um vídeo da Alexandra Gurgel e eu me identifiquei muito, e eu não tinha aquela visão sobre corpo, e foi meio que uma descoberta do assunto e de mim mesma, porque eu me vi naquilo. Antes disso, eu não tinha consciência corporal, eu não tinha uma relação com meu corpo, eu ficava mais reparando nos outros, no corpo alheio e esquecia do meu, eu fazia dieta, buscava o padrão mas de forma ''inconsciente''eu ia na onda das pessoas, porque todo mundo também fazia, porque me falavam pra fazer, mas a real é que eu mal sabia o que era tudo aquilo. Depois que comecei a conhecer o movimento e me encaixar naquelas situações, a gorodofobia diária (que eu cometia também), abri meus olhos pra tudo isso e passei a ter consciência do meu corpo e ama-lo 

2 - Na sua infância você sofreu algum tipo de bullying por causa do seu peso? Que marcas isso deixou em você?

Na infância, eu não sofri bullying, mas eu tinha uma pressão grande dentro de casa do meu pai para emagrecer, ele sempre me levava em nutricionistas e fazer dietas, quando eu tinha 9 anos ele morreu, depois disso minha mãe não quis mais ficar me levando, a não ser que eu quisesse realmente. Atualmente, eu vejo isso de maneira bem errada, porque eu fui levada a seguir algo que eu não queria e que não tinha necessidade de submeter uma criança a dietas e nutricionistas, eu tinha que ficar me regulando, controlando, mas isso só me fez ver melhor as coisas e como a imposição social existe e nos pega de todos os lados.

3 - Em relação a sua família, há/ou houve algum tipo de pressão para emagrecer? 

Respondi essa perguntas co a resposta de cima sem querer hahahaha. Mas sim, houve. Hoje em dia respeitam minha decisão 

4 - Você já passou por alguma situação que considera constrangedora por causa do seu peso?

Muitas! A gordofobia é algo velado e normalizado na nossa sociedade, por conta disso, o preconceito esta enraizado nas pequenas coisas do dia a dia e quem é gorda sabe o quanto é real isso, que os constrangimentos, preconceitos são constantes, infelizmente. O que mais me marcou, foi quando eu tinha 17 anos, fui com duas amigas para Porto Seguro, viagem de formatura, só galera da nossa idade, eu perdi a conta de quantas vezes nas festas vinham garotos pedindo pra ficar com a gente pra tirar sarro da nossa cara (não sei qual a graça..), riam da nossa cara, a rodinha de amigos atras fazendo o mesmo. Faziam pra humilhar mesmo, pra zoar aquilo que pra eles consideram ''anormal'', é triste você pagar uma viagem, se preparar, esperar pela viagem da vida e ter um bando de sem noção querendo estragar sua viagem e te humilhando.

5 - Já pensou ou tentou medidas extremas para perda de peso? (dietas malucas, remédios, cirurgia, excesso de exercícios...)Isso foi prejudicial a sua saúde? O que te levou a isso? 

Dietas radicais eu nunca fiz, mas como falei já, quando era criança fiz muitas dietas e na minha visão isso era um absurdo, restringir uma criança de comer o que ela quer puramente por uma questão estica. Eu como taurina de verdade, amo comer hahaha então eu nunca consegui ficar me restringindo, eu não aguentava fazer a dieta, ficar me proibindo me deixava mais compulsiva pra comer mais.


6 - Quem mais te apoia neste processo de aceitação? 

Conforme eu fui me empoderando e sempre colocando meu discurso pra pessoas, as pessoas ao meu redor passaram a entender e a participar, foi gradual, o entendimento da minha causa e o apoio. Hoje em dia minha família e meus amigos me apoiam. 

7 - O que positividade corporal significa para você e como você pratica isso no seu dia-a-dia? 

Pra mim significa ter uma relação positiva com seu corpo, seja ele como for, aceitar e amar aquele corpo que você habita, deixar de lado o ódio e a negatividade e só sentir coisas positivas em relação a você. 
Eu falo muito sobre isso com as pessoas, eu gosto de mostrar para as pessoas como é bom se amar e que é possível, muita gente não conhece o movimento e essas questões, e eu acho fundamental fazer os mesmos chegar nas pessoas que não conhecem, fazer elas refletirem sobre essas questões e de como afeta a todos nos e que é necessária essa luta, e nada melhor também do que a representatividade e o exemplo, nosso corpo é um ato politico e eu uso o meu pra isso hahaha uso meu corpo como exemplo de que é bonito e normal ser quem você é, que eu posso usar o que eu quiser, ser livre, assim como todos podemos!

8 - Quais os tipos mais frequentes de gordofobia que você encontra no seu cotidiano

As mais frequentes são das pessoas, como as pessoas são gordofobicas na suas falas e ações, como as pessoas são bitoladas num corpo ideal e que todos devem alcança-lo e querem passar isso pra você independente do seu posicionamento, as pessoas só falam sobre dietas, de como elas querem emagrecer e esquecem de viver, vivem em função de alcançar um ideal impossível e esquecem de serem felizes. A gente tem que ter mais empatia com o outro, parar de apontar o que nos achamos errado no outro e entender que cada um tem sua individualidade e sua liberdade de escolha e ninguém deve interferir nisso. Alem da gordofobia nas lojas, é difícil achar roupa para pessoas gordas, as lojas não nos incluem na suas modelagens, é uma verdadeira caça atras de roupas que sirvam, sejam legais e com preço bacana.

9 - O que as pessoas podem fazer para apoiar o movimento de aceitação corporal e mudar esses estereótipos e comportamentos enraizados? 

Eu acho que o movimento de aceitação é um movimento para todos os tipos de pessoas, todos os tipos de corpos, todos nós sofremos com a pressão estética e devemos lutar contra isso e pela nossa liberdade de ser como escolhermos. A melhor maneira de apoiar é RESPEITAR e entender o lado do outro, entender o discurso e a luta, estar aberto a ouvir quem fala sobre, dar visibilidade a essas lutas e movimentos, além de praticar no dia a dia a empatia pelo outro, respeitando suas escolhas, respeitando quem a pessoa escolheu ser. 

10 - Se você pudesse mudar uma coisa sobre como as pessoas gordas são vistas pela sociedade, o que seria? 

TUDO!! Nós somos vistos negativamente, em todos os aspectos, a pessoa gorda é relacionada a doença, a falta de beleza, a infelicidade, ao fracasso e por ai vai. Tudo isso precisa mudar, nos somos tao humanos quanto as outras pessoas, nosso peso não pode definir quem nos somos na sociedade, não pode nos diminuir perante aos outros, ta na hora de nos respeitar como nos somos e tirar esses paradigmas da pessoa gorda. 


11 - Há um debate na comunidade de positividade corporal sobre usar a palavra "gordo" para se descrever. Como você usa essa palavra? 

 Pra mim essa palavra carrega muita forca, luta e resistência, apesar de ser só uma característica física, assim como as outras, ela trás uma historia, uma luta por trás dela! 

12 - Qual conselho você daria para quem está começando este processo de aceitação?

Não tem como negar que é um processo difícil, sofrido e doloroso, mas ele é necessário e por isso, você tem que acreditar em si mesma, dar o seu melhor para passar por esse processo. Você consegue, é capaz, todos nos somos, e uma fase dolorosa para depois chegar na plenitude de se amar, sentir a satisfação em ser quem você é, viver livre dos rótulos e viver em função de você mesma, da sua felicidade. Nada melhor do que viver livre de imposições sociais que não fazem sentido, é melhor sofrer numa fase de aceitação, do que viver infeliz buscando um ideal ilusório. RESISTA ,e quando tudo parecer difícil ou impossível, respira fundo e lembra de toda sua luta em busca do seu auto amor, o quanto esta valendo a pena e que os momentos de crise passam, ouve uma musica, relaxa, busque videos que te inspirem e te deem forca pra continuar e não se esqueça, você não esta sozinha! Forca e determinação, o amor sempre vence.



Eu sempre digo que me identifiquei com as entrevistas porque sério todos nós gordos passamos por situações muito parecidas, por todo o preconceito, por todo o bullyng e mesmo não estando perto dessas pessoas é impossível não sentir a dor que cada um passa até conquistar o seu amor próprio, isso não devia ser lei na vida de um gordo, todo esse transtorno que passamos até nos aceitarmos mais infelizmente é, e eu com esse projeto e com a ajuda de todos aqueles que participam quero mostrar ao mundo que somos iguais! 
Iguais a todo mundo, ser gordo é apenas uma condição física, NÃO TE DEFINE

Lembrando que projeto amor próprio tem como intuito mostrar para os leitores, não leitores e aqueles que caem de paraquedas aqui no Dreamy Fearless que não importa se você é GORDO, MAGRO, NEGRO, BRANCO, ASIÁTICO ou ETC, o que importa é o que você é por dentro, quem você é. 

SOMOS TODOS IGUAIS e a sociedade precisa aprender a 
conviver com isso! 
Vamos começar pela gente e levar essa lição adiante? Conto com vocês.

Eu agradeço de coração ao Marina por topar entrar neste projeto comigo, precisamos nos unir sim, pois só assim iremos mostrar para a sociedade que eles não podem mais nos derrubar.
Marina você é maravilhosa demais e cada vez que vejo teu perfil no instagram me inspiro a ser um pouquinho mais como você!

Quem quiser acompanhar a Marina no Instagram é so Seguir AQUI

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