2.1.19

Millennium: A Rainha Do Castelo de Ar

Assim como A Menina Que Brincava com Fogo, A Rainha Do Castelo de Ar conta apenas com a versão sueca da adaptação baseada no romance de Stieg Larsson. O filme é de 2009, e encerra a trilogia original, pois o autor faleceu em 2004.


Desde sua morte, houve muitos boatos que correm nas fã pages, de que ele tinha material para algo em torno de dez livros para a série. O problema é que com a sua morte houve uma repartição de sua família, e sua esposa Eva Gabrielsson, que afirmava tê-lo auxiliado na escrita da trilogia original. Mas, na repartição dos bens Gabrielsson ficou sem nada, e o autor contratado para continuar com os livros foi David Lagercrantz. Até agora sob autoria de Lagercrantz foram lançados dois livros A Menina na Teia da Aranha e O Homem que Buscava a sua Sombra.

David Lagercrantz

Larsson faleceu em 2004, vítima de um ataque cardíaco enquanto subia as escadas para meses antes de lançar o primeiro livro da série. Depois de subir sete andares de escada até a revista Expo, onde ele trabalhava. Ele tinha apenas 50 anos. No começo, houve muita especulação se a morte havia sido, um assassinato, já que Larsson era ativista e defendia os direitos humanos, o que provocava a ira de extremistas, sendo que o autor já havia recebido várias ameaças de morte. Mas depois foi realmente confirmado que sua morte se devia a um problema cardíaco por causa dos hábitos alimentares ruins e por fumar.

Stieg Larsson

Há quem diga que vários aspectos explorados e caracterizados pela Millennium dentro do romance, levam características autobiográficas do próprio Larsson, explorado sua experiência dentro do cotidiano de uma revista. 

Além de que, há blogs que exploram vários berços para a concepção de Lisbeth, sendo alguns uma extensão da personalidade do próprio Larsson. Já, outros, acreditam que pode ter haver com uma sobrinha que o autor tinha enquanto escrevia, que era considerada rebelde. E, também há outras fontes que afirmam que o autor se baseou na personagem Píppi Meialonga.


A nível de curiosidade, Píppi Meialonga é a personagem principal de três livros infanto-juvenis da autora sueca Astrid Lindgren editados em 1945-1948. É a menina "mais forte do mundo", com sardas na cara, e tranças vermelhas. Píppi não tem família e vive sozinha, e enfrenta os perigos da vida sozinha. Seguindo essa última teoria que foi trazida por Larsson em uma das duas poucas entrevistas, Lisbeth seria sua versão mais velha e com problemas de socialização. 

O filme conta apenas com a versão sueca e da sequência a trilogia original, contando com os mesmos atores do filme anterior. O filme conta com 2h 26m.


ANÁLISE: Neste filme Lisbeth se encontra presa e vai a julgamento pela tentativa de assassinato de Zala, pela morte de Dag, Mia e de seu ex-tutor, e muito de suas motivações e das agressões a que fora submetida são expostas.


Mesmo sob a tutela da prisão, Lisbeth sofre uma tentativa de assassinato pelas mesmas pessoas que antes protegiam Zala e a colocaram sob supervisão psiquiátrica (Zala também sofre esse atentado). Para mim, esse é o filme mais verossímil entre os três, pois há a questão do julgamento (não apenas dentro do âmbito criminosa), mas o midiático, que a questiona como mulher, como sujeita, e a tratam como uma vadia oportunista e louca.


É perceptível o jogo que a mídia e o tribunal jogam com ela, como já afirmou Stella Gibson em The Fall: A mídia ama dividir as mulheres em virgens ou demônios, anjos ou prostitutas. Não vamos encorajá-los! E durante quase todo o desenrolar do julgamento o tratamento de Lisbeth é como um demônio, e está é obrigada a encarar todos os traumas que a moldaram como é, inclusive o estupro que seu então tutor a submeteu. E mesmo assim ela tem seu discurso deslegitimado.

Todo mundo tem segredos.

Nesse último filme da trilogia original, percebemos a força das amizades que Lisbeth conseguiu conquistar (mesmo com problemas de socialização), e como eles são fiéis a ela, e ter empatia pelas situações vividas pela mesma desde seus 12 anos.


Porque assistir? Além de fechar a trilogia original e a história de Lisbeth com Zala (além da interpretação de Noomi Rapace no papel da maravilhosa Lisbeth), é o filme/livro que trabalha com o enfrentamento de Lisbeth com seus traumas, mostrando e analisando o porque essa figura que foi tão marginalizada foi criada. Como dito anteriormente é na minha opinião o filme mais verossímil, e demonstra os vários julgamentos expostos para a mulher que vai em busca da denúncia dos abusos que sofreu. E, Lisbeth, assim como essas mulheres, é uma sobrevivente.

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