27.7.19

O mínimo esforço

Oi, oi, oi, como vai você?
Eu estou bem, semana bem corrida, trabalhei demais pro meu tamanho rsrs
Mas amanhã viajo de madrugada rumo a terra natal! (alô de volta pra minha terra)kkkkkk
Hoje resolvi compartilhar um texto que li a algum tempo, achei maravilhoso e esses dais me apareceu de novo, um sinal divino que eu precisava trazer ele aqui pro blog.
Nós mulheres em geral, quando temos um encontro seja com o namorado fixo ou com um possível peguete de app, ou mesmo quando vamos pra balada e queremos nos dar bem passamos por um ritual enorme, para agradar, mas os homens, em geral, não.

Lembro que já fui a alguns casamentos com meu namorado, ele poe o terno, eu o ajudo com o cabelo e pronto. Já eu, lavo e escovo o cabelo, maquiagem, roupa apertada, salto, acessórios, etc. A diferença entre o esforço, o trabalho, a preparação pra alguma coisa entre nós é gritante, mesmo que seja pra ir trabalhar. Este texto fala disso, boa leitura. 


O MÍNIMO ESFORÇO PARA TRANSAR COM UM CARA - E COMO ISSO MELHOROU A MINHA VIDA SEXUAL

Circle lenses, já ouviu falar? É uma lente de contato que faz a sua íris parecer maior, dando a impressão de olhos grandes e mais atraentes. Uma amiga ia sair com um cara do Tinder e resolveu usar um par pra deixar o olhar mais instigante. Me mandou foto dos olhos dela, com e sem a lente, pra eu ver a diferença.

Daí eu pensei, bicho, as minas vão longe demais pelos caras. E às vezes nem é por um cara que é o amor da vida dela, é só uma trepada casual. Essa amiga, além de embelezar a íris, tinha se munido de todo um arsenal de maquiagem importada, uma boa lingerie, unhas recentemente pintadas, um vestido novo e ia ficar montada a noite toda em cima de saltos de nove centímetros, onde ela equilibraria um metro e sessenta e nove de corpo totalmente depilado à pinça e cera quente.

Diante dessa perspectiva de todo um estica-e-puxa pra ficar bonita pro coito, eu fiquei curiosa a respeito do que os caras faziam quando iam encontrar mulheres em quem eles tinham interesse sexual (ou quando já sabiam que a jiripoca iria piar na noite vindoura), porque do lado de cá do gênero, uma bimbadinha casual parecia uma epopeia. Perguntei pra uns 15 amigos meus a respeito. A resposta deles foi bastante consistente e o ritual de todos era quase idêntico:
tomar um banho
fazer a barba (não vale para os barbudos, que por sua vez davam aquela ajeitadinha)
passar desodorante e perfume
usar uma cueca em bom estado
Os mais dedicados acrescentavam uma aparada na região pubiana, corte das unhas e arrumavam o cabelo. Um disse que tirava a monocelha.

Pois bem. Há algum tempo, eu decidi que esse seria todo o esforço que eu faria pra transar com um cara: o mesmo esforço que um cara comum faz pra transar com uma mulher. Pouca ou nenhuma maquiagem (desapeguei do delineador babadeiro), sem salto, sem depilar o corpo, sem pintar as unhas. Olha, você até pode adorar fazer a Lupita Nyong’o no Oscar de 2014 pra todos os caras com quem você sai, não tem problema nenhum. A questão aqui é: você não é obrigada. Isso nem devia ser esperado de você. Porque o que é esperado dos homens é seu estado natural, mas uma mulher em seu estado natural é considerada uma imitação ruim de homem. Feminilidade é sinônimo de artifício.

Veja, isso tem a ver com o mundo inteiro te dizendo que, a princípio, você está feia. Que seu corpo está errado. Que você não está sendo suficientemente alguma-coisa. A gente fura a orelha pra pendurar brinco antes de saber andar. E daí pra frente isso destrambelha de um jeito tal que quando chegamos aos 20 estamos pagando por serviços estapafúrdios, como permanente de cílios. Em 2014, as brasileiras lideraram o ranking mundial de cirurgias pra diminuir os lábios vaginais (quem falar que a gente faz isso porque quer, volta dez casas e passa duas rodadas lendo um livro-texto de sociologia).


Enfim, voltando ao meu novo mantra, ele causou um efeito surpreendente nos meus relacionamentos com homens: nada mudou. Eu continuei saindo com homens. Continuei namorando homens e transando com homens. A única diferença relevante é que, como num passe de mágica, me livrei dos caras que transavam mal.

O sexo era mais gostoso. Mais carinhoso, mais safado, mais bambeador de perna. Não tinha frescura. Esses caras, inclusive, eram muito mais seguros sobre aquilo que gostavam e não tinham medo de pedir. Dava pra ver que eles sentiam tesão no meu prazer. Eles também tinham três importantíssimas vantagens sobre os outros: nunca tinham frescura com uso de camisinha (ela sempre estava lá e sempre era usada); sempre faziam sexo oral; e não fizeram perguntas ou comentários desnecessários a respeito do tamanho do pau deles.

Outra vantagem enorme de abandonar esses rituais feitos pra entreter homens que provavelmente não saberão te chupar é que você economiza tempo, dinheiro e lágrimas (uma depilação a cera de axilas+virilha+pernas não sai por menos de R$70, sangue, suor e lágrimas). Então, proponho esse exercício: pare de se importar tanto com o que o mundo espera da sua aparência. Você não gosta do cara do jeito que ele é? Com a barba que cresce irregularmente, umas 3 espinhas na cara e o tênis velho de guerra todo arregaçado? Então por que ele, do alto de sua naturalidade, só conseguiria gostar de uma boneca toda trabalhada em primer redutor de poros e micropigmentação na sobrancelha?

No fim das contas, isso não é só sobre sexo ou homens, isso é sobre quebrar essa ideia tóxica de que você não está aceitável como mulher enquanto não alterar a sua aparência. Lembre-se que existem poderosos executivos comprando carros e iates caríssimos com a grana que a gente gasta em tubos de creme para celulite (que não fazem nenhum efeito, sabemos). Faça-se um favor e dê à esses caras um sincero "foda-se". Eles provavelmente fodem mal também.

autora: Débora Nisenbaum


Uma ótima semana a todos, muitos beijos de luz e até!


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