14.1.20

Projeto Amor Próprio com @tainahtsa

Hey Guys, como estão?
Tem gente que não entende porque eu amo a internet, mais cá entre nós, como conheceríamos pessoas tão maravilhosas de vários lugares do mundo se não fosse a internet né? Por isso eu amo, me dá a possibilidade de esbarrar com tanta gente incrível como esse musa que eu entrevistei hoje.

Vamos a nossa breve explicação sobre o projeto: Se você é novo aqui e não sabe do que eu to falando, pois bem, vou te explicar um pouquinho sobre o Projeto Amor Próprio, é uma forma de trazer um pouco mais sobre autoaceitação, gordofobia e emponderamento aqui para vocês e de um jeitinho todo especial, com histórias reais de pessoais reais.

Nossa convidada de hoje é simplesmente uma miss, a lindona Tainah Sá (no instagram @tainahtsa), modelo, miss e dona de uma beleza unica. 

Significado de amor próprio :s.m. sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada qual tem por si mesmo.

1 - Como começou o seu processo de aceitação em relação ao seu corpo? 
Eu engordei aos poucos, minha vida inteira foi um efeito sanfona e mil dietas milagrosas. Até que eu engordei essa última vez e não tava conseguindo emagrecer. Era muito difícil sair em público porque eu não queria que as pessoas que me conheceram magra me vissem gorda. Até que uma amiga me chamou pra fazer um ensaio pro dia das mulheres, em que ela fotografou várias mulheres de calcinha e sutiã ditas como fora do padrão. Eu relutei um pouco pra aceitar mas ela me convenceu. E eu amei as fotos, acredito que foi o ponto chave pra eu começar o meu processo de aceitação, vi as fotos sem edição, sem retoque, com todas minhas gorduras e celulites aparentes e mesmo assim achei a foto linda. E a partir daí, eu comecei a trabalhar isso em mim e compartilhar esse processo nas redes sociais. Comecei a me vestir mais colorido, mostrando mais do meu corpo, e usei a moda como forma de expressão também. 

2 - Na sua infância você sofreu algum tipo de bullying por causa do seu peso? Que marcas isso deixou em você? 
Sim, infelizmente. Apelidos no colégio, risadas quando eu passava. Mas acho que o pior mesmo foi o de dentro de casa. Minha avó sempre quis que eu fosse magra, e era um suplício na hora de comprar roupa. Investiram nas minhas dietas, academia, já ouvi de pessoas da minha família que era pra eu vomitar depois de comer porque eu tinha comido muito. Talvez eles nem entendam a gravidade da situação e associam a magreza a algo bom, mas aquilo me causou muitas marcas. Eu cresci insegura e sempre achando que não era boa o suficiente, que não era bonita o suficiente, que se eu emagrecesse tudo seria melhor. Piadas na hora de comer, frases do tipo: “seu rosto é tão lindo, porque não emagrece? Rosto de sereia corpinho de baleia.” A infância é a formação da nossa personalidade, então temos que crescer com o apoio e a aceitação da nossa família.

3 - Em relação a sua família, há/ou houve algum tipo de pressão para emagrecer? 
Minha avó sempre idolatrou o corpo magro, e sempre me pressionou pra emagrecer. Eu não lembro de uma parte da minha infância que eu não estivesse de dieta, e algo bem marcante é que fazíamos compras juntas, ela que comprava minhas roupas, então quase nunca dava em mim. E toda vez era um tormento, e sempre tinha que voltar pra casa ouvindo que eu tinha que perder peso, que as roupas lindas não ficavam bem em mim e etc...

4 - Você já passou por alguma situação que considera constrangedora por causa do seu peso? 
Um ex namorado que eu tive controlava a quantidade de comida que eu colocava no prato, eu já havia emagrecido mas ele tinha medo que eu engordasse de novo. Então uma vez em um jantar de família ele falou alto pra todo mundo ouvir que era pra eu maneirar porque ele não ia namorar uma gorda. Eu lembro que fiquei muito constrangida. 

5 - Já pensou ou tentou medidas extremas para perda de peso? (dietas malucas, remédios, cirurgia, excesso de exercícios...) Isso foi prejudicial a sua saúde? O que te levou a isso? 
Já tomei muitos remédios, infelizmente. Quando a gente é jovem a gente não imagina o quanto isso é prejudicial pro nosso corpo e acaba se maltratando pra sustentar um padrão que não nos cabe. Eu tomei sibutramina, anfepramona, inibidores de apetite, remédios pra depressão que tinham como efeito colateral a perda de apetite, tomava laxantes e diuréticos e provocava o vômito depois das refeições durante uma época da minha vida. Hoje em dia tenho uma gastrite por conta dessa época. E ainda dizem que magros são saudáveis né?


6 - Quem mais te apoia neste processo de aceitação? 
Meu irmão e meu namorado. São duas pessoas que estão sempre do meu lado nas minhas decisões e que apoiam a liberdade que hoje eu tenho. Ter um relacionamento que te incentive a ser você mesmo é incrível, já vivi os dois extremos então posso dizer que isso ajuda muito. 

7 - O que positividade corporal significa para você e como você pratica isso no seu dia-a-dia? 
Acho que é algo muito relevante das pessoas lerem e consumirem. Já tem tanta magreza estampada nos lugares, dietas milagrosas nas revistas, corpos perfeitos na televisão. As pessoas precisam se enxergar no outro, a representatividade é muito importante.   Então eu procuro compartilhar tudo que vivencio nas minhas redes sociais e no meu dia a dia, pra que as pessoas sintam que elas também podem, através de fotos sem edição, de vídeos motivacionais, realidade mesmo. 

8 - Quais os tipos mais frequentes de gordofobia que você encontra no seu cotidiano? 
Olhares todos os dias, porque hoje eu não me cubro mais pra sair de casa. E as pessoas ainda não estão acostumadas a ver uma gorda bem resolvida de cropped. As cutucadas, os olhares, as cochichadas. Mas a gordofobia real, foi quando nosso bloco de carnaval, o Bloco Mana Gorda, saiu ano passado (tenho um bloco de carnaval com duas amigas, Uliana Motta e Nai Macedo) e a reportagem do bloco saiu em uma plataforma online e os comentários foram horrorosos. Foi a minha primeira experiência gordofobica na internet e foi muito decepcionante ver comentários tão maldosos sobre algo que deveria ser considerado natural: nossos corpos livres.  

9 - O que as pessoas podem fazer para apoiar o movimento de aceitação corporal e mudas esses estereótipos e comportamentos enraizados? 
Servir de exemplo. Acho que temos que filtrar nossos comentários sobre outros corpos. Seja ele magro ou gordo. Respeitar o corpo do outro e respeitar o nosso corpo; sem comparações. 

10 - Se você pudesse mudar uma coisa sobre como as pessoas gordas são vistas pela sociedade, o que seria? 
A ideia de que todo gordo é doente. Porque as pessoas acabam dando pitaco no seu corpo com essa desculpa. Se você vê uma pessoa, seja ela gorda ou magra, você só pode dizer que ela precisa fazer algo pra saúde depois de ver os exames.


11 - Há um debate na comunidade de positividade corporal sobre usar a palavra "gordo" para se descrever. Como você usa essa palavra? 
Gordo pra mim se tornou uma característica física como qualquer outra. Acho que precisamos tirar o peso negativo dessa palavra, até porque ela não é negativa. Quanto mais a gente falar isso com leveza, mas as outras pessoas vão encarar com naturalidade.

12 - Qual conselho você daria para quem está começando este processo de aceitação? 
Filtrar as coisas que chegam no nosso ouvido. Você recebe muitas mensagens e comentários de pessoas que se identificam com você. Mas também muitos comentários negativos. Então é saber filtrar e estar com o psicológico em dia, pra não absorver o que não é relevante. E lembre, antes de cogitar a hipótese de desistir, muitas pessoas se inspiram e você e nós somos uma cadeia de amor próprio, uma depende da outra! 



Que entrevista maravilhosa e que mulher maravilhosa não é mesmo?
Agradeço demais a Tainah por participar do nosso projeto, desejamos uma carreira incrível pra ela.

E lembre-se: O projeto amor próprio tem como intuito mostrar para os leitores, não leitores e aqueles que caem de paraquedas aqui no Dreamy Fearless que não importa se você é GORDO, MAGRO, NEGRO, BRANCO, ASIÁTICO ou ETC, o que importa é o que você é por dentro, quem você é. 

SOMOS TODOS IGUAIS e a sociedade precisa aprender a 
conviver com isso! 
Vamos começar pela gente e levar essa lição adiante? Conto com vocês.

E pra quem quiser acompanhar a Tainah lá no Instagram e pegar essas dicas de amor próprio é só Seguir AQUI

Nós acompanhe também:



Nenhum comentário:

Postar um comentário